Presente da Aly

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Íris Pereira

Eu e minhas aventuras verdadeiras


Eu e minhas aventuras verdadeiras
Nesta foto: Eu, Roberto e Ita
Menina magricela, cabelos longos e cacheados, pretos como as asas do pássaro preto. Não andava, corria, onde quer que estivesse seu olhar estava dirigido ao chão ou ao céu, sempre olhando o que se passava no chão ou com as formações das nuvens, os pássaros, queria ser um deles, sempre sonhei em poder voar, mas nunca quis ser uma heroína de cinema ou de revistas em quadrinhos, queria mesmo era voar, estar nos lugares chegando rapidamente e e saindo quando quisesse, era a liberdade, sempre pensei muito nisto. Tinha tanta vontade de ler que meu irmão Auderico, mais velho que eu seis anos se viu obrigado a ensinar-me a ler nas revistinhas de quadrinhos e nos quebra cabeças, ele tinha tanta facilidade de ensinar quanto eu de aprender. Fui pra escola já sabendo ler tudo. Estudava no grupo escolar Francisco José de Brito, tinha como obrigação terminar todo o serviço de casa, pela manhã, fazer a lição de casa e ajudar meu irmão João que não era tão interessado em estudar, queria mais era brincar. Íamos juntos pra escola pra que eu o levasse e o vigiasse se ficava mesmo no grupo. Muitas vezes apanhei junto com ele por perdê-lo de vista e chegar em casa sozinha.
Mas minha vida era uma vida normal, passeava nos sítios, passava férias sempre fora do Crato, agia mais como um menino do que menina, gostava de subir em árvores, montava em cavalo melhor que qualquer menino, jogava bila( bolinha de gude) e ganhava muito.
Aos 12 anos ainda bem menina, encontrava-me sentada em um tronco de eucalipto caido no quintal de casa, quando ouvi uma vos masculina dizer: Vovó ali está a menina que eu vou casar, será com ela que vou casar. Eu virei pra certificar-me se era de mim que ele estava falando e ele continuou falando em um sonho, eu achei muita petulância dele está falando daquela maneira comigo , uma menina que nem pensava em namoro que diria casar, mas ele continuou falando, eu sonhei com esta mesma cena antes de vir embora, ela estava do mesmo modo que estar lá e seu vestido amarelo de listas verticais e na frente tem 3 fitas azuis pregadas horizontalmente à baixo do peito, fiquei mexida com isto pois da maneira que eu estava sentada não dava pra que vissem as fitas, fui até eles e antes que eu abrisse a boca, a vó Maria já foi fazendo as apresentações: Íris este é Eldenê filho da Luisa e do Raimundo Bezerra e irmão do Evandro, ele estendeu-me a mão e apertou dizendo estou pegando na mão da minha futura esposa. Puxei minha mão um tanto encabulada, mas notei que ele tinha um olho cego,porem isto não o deixava menos bonito, era de estatura baixa, pele branca e muito cheiroso. Tinha modos muito educados e já era um diferencial ser tratada como uma adulta, pois até então nunca fui apresentada daquela maneira. Já era um bom começo, não achá-lo feio e antipático.
Neste tempo todo o Eldenê arrumou um meio de ficar perto de mim, pediu pra minha mãe deixar-lo dar aulas particular pra mim e pro meu irmão, ele já era praticamente da casa, era muito amigo do Alderico e ficamos amigos também, uma amizade meio extranha, pois ele me tratava como noiva, mas tipo esperando o tempo certo, ele foi tomando certas responsabilidades comigo, tipo: Todo mês ao receber seu salário fazia compras de perfumaria e higiene, lembro que no pacote vinha uma caixa de sabonete alma de flores, talco de alfazema, shampoo seda e creme rinse seda, creme dental kolinos, e colonia . As vezes também comprava tecidos para eu mandar Bernadete fazer vestidos. Era algo que hoje ao lembrar fico emocionada, não pelos presente, mas pelo cuidado, pela responsabilidade que já tinha comigo.
Aos 14 menstruei pela primeira vez, fiquei apavorada com todo aquele sangue saindo pelo mesmo lugar que da outra vez, sem que ninguém tivesse mexido. Fui procurar minha mãe em casa da vó Maria Norões e quem encontrei? Lógico que foi ele o meu salvador, o Eldenê que foi me puxando lá pro quintal e mandando eu me acalmar, foi explicando tudo de uma maneira que nunca esqueço e quando posso passo para quem precisa saber. Ele não esqueceu detalhe nenhum, desde a higiene até a responsabilidade de ficar grávida, mas eu tímida, não quis entrar neste detalhe.Já era muito saber tudo aquilo.
O primeiro namorado foi antes dos 15 anos. Fui pedida em namoro pelo Antonio Jairo da rua dos cariris, em uma tertulha que organizamos lá em casa com a radiola portátil do Eldenê. Ele não dançava mas adorava ficar colocando as músicas e exibindo que tinha muitos discos e todos só chamavam ele para fazer a festa.
Namorei uns 6 meses com o Jairo, pra desespero do Eldenê, que deixou de falar comigo e ficamos intrigados, foi um tempo de folga, aproveitei bastante, saía muito com meu irmão para os bailes, ia tanto à são francisco onde moravam alguns amigos dele, o Moraes, Marcelo, Flaviano que tinha uma banda de música. Meu irmão então casou com a Stella, uma jovem lá do bairro vermelho, então nos afastamos um pouco e fui morar com minha madrinha Judite na rua dos cariris, ela tinha muitos filhos 11 e eu ajudava ela nas tarefas de casa e ela pagava a ETC pra eu cursar o básico comercial. E a vida foi passando e eu ficando normal, quero dizer igual as outra moças. Fui bandeirantes, fui legionária de Maria com a irmã Maria e Irmã Moura. Já com 16 anos mudamos de casa e de rua, visinhos de Seu Mário e de D. Cleide, compramos uma casa na rua Presidente Kennedy e fiz amizade com Roselita e suas irmãs Quinha, Cleusa e Bete e seu irmão Isô, foi uma da melhor época de minha vida, íamos sempre pro pai Mané um sítio depois da Ponta da serra, lá era simplesmente divino, vivi sonhos maravilhosos, se eu escrevesse, daria contos lindíssimos.Outros nanoricos, uns mais sérios, outros só paquera.
18 anos, vida o que escolheria pra mim. pro meu futuro? Foi como se um um raio caísse em minha cabeça: Entrei em casa encontrei Eldenê pedindo-me em casamento. Ficamos noivos de verdade. Não sei bem porque, nunca soube porque.ainda não sei porque. Entre projetos e compras, planos passamos 1 ano noivo, eu estudando ele já formado e trabalhando sendo o homem de confiança do Seu Helio, um dos melhores contabilistas do Crato. Tudo pronto data marcada pra maio. Nas férias de janeiro fui a muito custo passear em Pai Mane com Roselita e suas irmãs. Aconteceu: Apaixonei-me pelo Antonio, voltei para o Crato terminei o noivado. Choro pra pra cá. Eldenê resolve ir embora pra Bahia. Eu fico livre e solta, namoro um e outro durante 1 ano e meio.
Completo 20 anos. Meus irmãos resolveram que eu iria morar com eles em São Paulo. Tremi, chorei, me desesperei e apavorada. Tinha tanto medo de São Paulo como o Diabo tem da cruz. O meu amigo Isô morava lá em São Paulo e mandava cartas com uns desenhos de muitos prédios, esgotos com ratos enormes, túneis com um trem correndo cheio de pessoas, eram pra mim como verdadeiras figuras de monstros.
Novembro de 1971, recebi a notícia que Eldenê tinha voltado, não dei muita importância. Eu trabalhava no atelier de custura de Maildes junto com a minha companheira de bagunça e de escola Lucimar Matos. Ao chegar pra jantar e ir pra escola, minha mãe entregou-me uma carta do meu irmão mais velho Adauto e simplesmente dizia que dia 23 de dezembro eu iria com mãe negra viajar pra ficar em São Paulo, era coisa certa e não se discutia mais. Fui pra escola com os olhos inchados de chorar, vitima! Queria morrer no Crato por que eu sabia que ia pra São Paulo pra morrer...Ho! Pobre de mim. Minha mãe toda entusiasmada mandando arrumar as coisas.
Nesta época eu dava aulas em um movimento chamado Ninho, era mantido pela diocese e prefeitura, junto com o MOBRAL, era alfabetização no bairro vermelho onde ficava a zona, a escola era lá e nós alfabetizávamos as "meninas" as mulheres da zona.Tudo muito organizado e eu adorava o convívio com elas, pois tinham história de vida de arrepiar. Fizemos entregas de certificados para as que conseguiram serem alfabetizadas.
Dia 1 de dezembro, vou até a casa de vó Maria e ela apontou para o quarto do vó Totonho, onde permanecia direto uma rede armada e nela estava o Eldenê deitado lendo, eu tomei o livro das mãos dele, ele ficou irritado e quis tomar o livro, então eu disse: Espere, devolvo o livro, o meu coração e eu inteira sem faltar nenhum pedacinho e desta vez sem graça, de verdade, juro serei sua mulher e farei tudo que você quiser. Ele puxou pra sentar na rede e falou muito sério: Volto com você, mas segunda feira daremos entrada nos papeis. Eu respondi :Topo.
11 de janeiro de 1972 casamos no cartório, ele continuou em casa do tio Belarmino e eu e minha casa. Dia 23 de fevereiro 1972 as 16 horas casamos na igreja dos pobres, tendo como madrinhas Roselita, ponciana e Silvinha e como padrinhos Zé Humberto, Flaviano, Marcelo.
Fomos morar em Assaré tomar conta de um escritório de contabilidade. depois disto, moramos em Araripina, em 1974 voltamos para o Crato onde nasceu Itassira. Fomos pra Zé Doca no Maranhão trabalhar com contabilidade. Foi uma época muito boa econômicamente. Em 1979 nasceu meu filho, voltamos para o crato. Ficamos algum tempo depois fomos para Petrolina-Pe, finalmente em 1984 resolvemos vir de vez para Ribeirão Preto, onde já morava toda minha família.
Nosso casamento terminou dia 05!4!1992.
Ele voltou para o Crato e eu fiquei com meus dois filhos: Itassira com 17 e Roberto com 12 anos.
Casei-me novamente com um mineiro homem muito bom e responsável que assumiu meus filhos como seus verdadeiros filhos e hoje formamos uma família normal, trabalhadora e cada um lutando pelos seus sonhos.
Quanto ao Eldenê devo-lhes a explicação que nosso casamento foi um casamento nada convencional nem dentro dos padrões normais, mas fomos felizes, vivemos bem até tudo se transformar em amizade.
Espero ter sido clara e objetiva.
Miris ( Maria Irismar Pereira de Souza)

3 comentários:

Antonio Correia Lima disse...

Irismar,estudar no Zé de Brito não foi privilégio só seu, eu também estudei lá.
Depois postarei esse texto no nosso blog
Um forte abraço

Paulo Laurindo disse...

Eita, que vôo! Foi mesmo um romance de livro o teu encontro com o Eldenê. E olha, adoro este teu estilo confessional, esta tua lembrança de detalhes do passado, chegando a minúcias... tua vida foi e tem sido uma grande aventura, Iris, uma aventura como poucas. Para mim, tem um sabor especial, pq também sendo nordestino, meio que me sinto em casa nas tuas narrativas. Continue a nos brindar com esta maneira gostosa de encarar a vida, porque o melhor penso ainda estar por vir, quando conseguires sair da biografia e entrar na ficção - com a experiência de vida que tens, com a leveza do teu olhar só podemos esperar que venhas a te tornares uma grande escritora.
Forte abraço.

Magnolia disse...

Maravilhoso seu texto historia, sempre falei d esua coragem, personalidade...própria!!!

Abraços e fica com Deus

Sobre a Autora

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Ribeirão Preto, SP, Brazil
3 partes de uma mulher: Maria da qual escrevo seu passado, seus sentimentos e suas verdades. Irismar já sem a Maria, companheira, amante, irmã, mãe, avó, sogra e amiga. Finalmente Iris a parte que reflete sobre as duas e tenta escrever o que descobre entender destas duas mulheres que são tão diferentes.

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