Presente da Aly

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Íris Pereira

Lembranças da Velha Ponta da Serra

Noite de trovões e relâmpagos 
e chuva farta.
Manhã inundada de luz
e cheia no rio Carás
terreiros inundados com poças d’ água 
ou então, nas margens dos caminhos,
riachinhos que corriam entre pedras
e iam do terreiro da nossa casa ao terreiro da casa de vovô Valdevino
Eram nossos pequenos rios pessoais.

O dia ficava tão mais bonito depois que a chuva lavava tudo:
as flores, as pedras, o telhado, a calçado, o terreiro.
Existia outra luminosidade no ar
refletindo no chão, no espaço, nas árvores, nas almas das pessoas.

O cheiro da chuva quando já se foi
é diferente do cheiro que traz na chegada
que é um cheiro arrebatador:
a alegria, a festa, o alvoroço e, tantas vezes, 
a impetuosidade com que chega tem cheiro
de que veio para um grande encontro de amor com a terra.
Desaguar nela, molhar, fertilizar, acordar seus minérios
aguando seus vulcões.

Ficávamos no alpendre da casa
olhando a chuva cair
olhando a chuva abençoar a terra 
na sua partida
deixando os terreiros os caminhos as plantações
os rios as árvores os tabuleiros os animais lavados
e nossas almas também lavadas.

O caminho para os banhos no rio
por entre os arrozais 
caminhos de poços d’ água
caminhos de lama
lagartas grudavam nas nossas roupas
minha irmã gritava apavorada
as outras riam e corriam
para o banho de rio.
Desnudas, despidas
de medo e pudor
mergulhadas nos rio
pura festa. Entrega.
Os muricis
os oitizeiros 
os maris
as unhas de gato cobriam o leito do rio.
Do alto o sol se infiltrava por entre os galhos
curioso
espiando nossa nudez menina.
(StelaSiebraBrito)

Um comentário:

Iris Pereira disse...

Estou feliz demais, quando me vejo tão só na forma de expressar minha paixão pela minha adorada Ponta da Serra, assim sem intenção nenhuma, encontro essa riqueza de poema e fartura de sabedoria em alguém que também mora longe como eu deste lugar que tanta alegrias nos deu e hoje expomos à nosso modo essa saudade.
Obrigada Amiga por esta oportunidade.
Abraços

Sobre a Autora

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Ribeirão Preto, SP, Brazil
3 partes de uma mulher: Maria da qual escrevo seu passado, seus sentimentos e suas verdades. Irismar já sem a Maria, companheira, amante, irmã, mãe, avó, sogra e amiga. Finalmente Iris a parte que reflete sobre as duas e tenta escrever o que descobre entender destas duas mulheres que são tão diferentes.

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