Presente da Aly

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Íris Pereira

Maria ainda não aprendeu somar nem dizer não.



Hoje a Maria teve pesadelos novamente. Apos ir dormir com muita raiva, alias ultimamente é só o que tem sentido a Maria.
Desde pequena a Maria aprendeu ficar calada e nunca responder mal a quem quer que fosse, foi assim que ela aprendeu, mesmo porque uma vez que tentou falar mais alto com a mãe, tomou um tapa na boca que cuspiu sangue, isto tinha seus 8 anos e já estava na escola, mas ela não chorava ia lá pra seu canto em cima do enorme pé de umbu e lá conversava com a Íris, sua melhor amiga, mas nem sei por que falar com ela, essa também nunca tinha solução pro enorme problema. As duas ficavam lá até que a mãe a chamasse para cumprir alguma tarefa, tipo cuidar da irmãzinha, varrer a casa, buscar água na cacinba do seu Totonho Norões, ou mesmo só tomar banho para levar a caçulinha no arisco. Isto ela adorava fazer pois lá encontrava todos as crianças de sua idade até maior, lá ela jogava bila, bolinha de gude brincando ela era criança também e esquecia de suas tristezas.
Maria não era tímida, mas tinha medo de tudo e ao realizar qualquer coisa sem que mandassem, ela sentia medo. Ela até que era divertida, naquela época passavam muitos filmes de reis e rainhas e a Maria adorava dançar como dançavam as escravas dos reinos e todos gostavam de vê-la dançar. Quando ela já estava uma mocinha com seus 14 anos um dia depois de assistir um filme de rei no qual teve uma dança linda onde a moça ia tirando seus lenços, ela juntou as colegas em casa e começou a dançar, improvisou os lenços, por baixo vestiu um maiô, sua mãe apreciava também esse seu dom, um rapaz seu vizinho que depois veio ser seu cunhado, adorava vê-la dançar, apesar de também ser tímido ele a olhava com muito gosto e as vezes ao terminar a dança, Maria era aplaudida e ele pedia que dançasse novamente que ele pagava, ela toda vaidosa dançava como se fosse só para ele e ao tirar os lenços os jogava para ele, nisto nesta arte de sedução a Maria sempre foi boa, pois fazia uma dança com o corpo e o olhar, ainda bem que a mãe dela não se incomodava com este ato já que era em sua própria casa e pra falar a verdade se saísse um namoro daquele lado de lá seria muito bom, pois eram rapazes do bem. Isto eram os gostos da Maria. É ela também teve vida boa, coisas boas pra contar a partir dos 13 anos, quando começou a passar ferias em outros lugares das redondezas do Crato, principalmente os sítios vizinhos.Mas vou pular quase todas as aventuras da Maria para contar, o porque de sua raiva ontem ao ir dormir. Maria por mais raiva ou ira que tivesse não xingava, nem falava gritando, não gostava de ofender e engolia muitas coisas a seco, calada e nestes 18 meses passados a vida dela tem sido um turbilhão de raivas, desgostos, coisa que todo mundo tem que ter na vida para aprender sobreviver e ser forte, sei lá, mas agora era mexendo com seu casamento, opa! Coisa sagrada e abençoada, esse era um amancebo abençoado, pelo menos por ela, seus filhos e família, era tudo de bom que acontecera em todos seus 40 anos, já até estava se sentindo perdoada por todos seus pecados e imprudências, achava até demais ser tão feliz, mas de repente como já disse de uns tempos pra cá a coisa tem mudado. Sua vida começou a ficar parecida com as demais vidas que ela conhecia. Mas certas coisas a Maria tolerava chorando embaixo do chuveiro, mas espere aí! Palavrões, xingamentos, falta de respeito ira no olhar? Não! Não! Mas as primeiras vezes deu pra aguentar e só chorar, entregar pra Deus e ter calma. Algo estava errado mas ia se concertar e voltar aos bons tempos, velhos tempos. Bom passeios, viagens e presentes tudo continuou, até melhor, mas espere aí, ela não havia mudado em nada, continuava se doando e se entregando como das primeiras vezes, o amor era igual, o sexo quente , ardente e caprichado, se arrumava com tamanho cuidado para estar sempre bonita e envelhecer com no mínimo uma beleza natural, mas os gritos a irritação aumentava. A Maria compreendeu que as coisas realmente mudaram, era como uma semente que você semeou, cuidou, nasceu, floriu, continuou brotando e dando flores, de repente pararam de dar botões, ou simplesmente não se abriam mais. É assim: Um dia ele a olhou com raiva, noutro dia gritou com você, outros olhares de ira e chega o dia que ele levanta a mão. Você treme, fecha os olhos para não rever uma cena tantas vezes vista em sua infância, mas para a graça da Maria a mão não baixou com violência, virou a tempo pra lá e saiu, talvez fugindo para não acabar tudo ali algo que durante 19 anos foi quase perfeito.Volta na maior calma e lhe trata como se não tivesse acontecido nada daquele pesadelo.Impressão minha ou eu não precisei dizer nada pra Maria? Não! Eu nada disse, nem fui com ela para o chuveiro, pelo contrario nos unimos e marcamos uma conversa, um acerto onde tudo teria que ser esclarecido e esclarecido vem de claro, sem penumbras e sem manchas. É como o céu sem nuvens. E essa conversa foi pesada, furtiva, com negação, igual o Pedro negou Jesus 3 vezes. Juras e promessas que tudo estava caminhando para ficar normal...O pesadelo da Maria foi este: Não encontrava o caminho do normal. E eu não também não soube mostrar este caminho, só soube ir para debaixo do chuveiro e deixar as águas se unirem as minhas lágrimas e irem para o rio...o mar...
Íris Pereira

5 comentários:

llmorais disse...

Íris:
Um proverbo chinês para Maria.

Ame-me quando eu menos merecer,pois é quando eu mais preciso.

Estou sempre por aquir,Um abraço.

Luiz Lisboa.

llmorais disse...

Íris: é provérbio para Maria.

Paulo Laurindo disse...

Penso que Maria deve pensar até onde vai sua capacidade de doação e sacrifício.

Magnólia Menezes disse...

Penso que Maria fez um desabafo...!!

Arcoiris No Horizonte disse...

E que desabafo, só que não aliviou, como sempre. E Com toda e absoluta certeza continuará indo pro chuveiro...
Iris Pereira

Sobre a Autora

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Ribeirão Preto, SP, Brazil
3 partes de uma mulher: Maria da qual escrevo seu passado, seus sentimentos e suas verdades. Irismar já sem a Maria, companheira, amante, irmã, mãe, avó, sogra e amiga. Finalmente Iris a parte que reflete sobre as duas e tenta escrever o que descobre entender destas duas mulheres que são tão diferentes.

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